Como fazer gerenciamento de risco com ações na bolsa de valores

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Como fazer gerenciamento de risco com ações na bolsa de valores

Willian Savio
Escrito por Willian Savio
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Gerenciamento de risco para investidores iniciantes e avançados

Aprenda como desenhar uma estratégia de gerenciamento de risco para investir com mais segurança.

O mercado não erra. O mercado é soberano e vai passar por cima de qualquer um que não tomar os devidos cuidados. E apesar disso ser óbvio, muitos investidores se entregam a crenças de que existem estratégias infalíveis ou ainda, ao sair de uma grande posição perdedora, arrisca muito mais do que deveria num único trade na tentativa de recuperar o prejuízo.

Gerenciamento de risco é a principal parte na estratégia de um trader, seja um investidor pessoa física iniciando na bolsa, seja um grande investidor institucional com um carteira de mais de 1 trilhão de dólares.

Leia o artigo até o fim e fuja do erro de muito investidor iniciante que acha que gerenciamento de risco e controle emocional é coisa pra “dar atenção só mais pra frente”.

O que é gerenciamento de risco?

É na sua essência planejar suas operações de forma a maximizar o lucro e controlar o prejuízo. Além disso, o mais importante é arriscar aquilo que você se sente confortável em perder. Ninguém gosta de perder, é claro, mas assim que você encontra esse valor é possível controlar o pilar que eu julgo ser o principal para a eficácia de um gerenciamento de risco: O pilar emocional.

Mais importante que buscar grandes ganhos, é evitar grandes perdas, é não quebrar.

Nassim Taleb numa entrevista.

Aprofundando a discussão, existem 3 pilares necessários para o controle eficiente do seu capital: operacional ou técnico, emocional ou psicológico e gerenciamento de risco.

Antes de mais nada, por quê fazer um gerenciamento de risco?

Essa etapa é ignorada pela grande maioria das pessoas, principalmente as que iniciam no day trade – e ninguém entende o porquê.

Afinal, talvez porque não dê resultados imediatos como um novo setup ou algo do tipo, mas pergunte para qualquer trader de sucesso sobre isso, tenho certeza que todos vão te dizer que é uma das partes mais importantes dentro do seu operacional.

Além disso, eles entendem que não se trata do quanto você ganha nos dias bons, mas sim do quanto você perde nos dias ruins.

Como fazer um gerenciamento de risco passo a passo:

Trading Plan

Disciplina é a chave para o sucesso no day trade e nos seus investimentos de modo geral, mas day trade é a fórmula 1 no mercado de renda variável e você precisa registrar tudo o que você faz para ajustar seus erros e corrigir sua rota no meio do caminho.

Crie um plano de trade com no mínimo os seguintes dados:

  • Momentos em que vai operar
  • Classes de ativos (de acordo com sua habilidade e capital)
  • Tipo de análise – setups
  • Seus objetivos (diário, semanal, mensal, trimestral, etc)
  • Seu limite de perda
  • Relação risco/retorno
  • Diário de trade (histórico)
  • Necessidade de liquidez

Stop

Sem dúvidas, uma das coisas mais importantes para a sobrevivência de um trader e praticamente a primeira coisa que vem a mente quando o assunto é gerenciamento de risco.

O stop é exatamente o instrumento usado para limitar o seu prejuízo ao entrar numa operação, estabelecendo que caso o preço do ativo vá na direção contrária, você sabe exatamente o máximo que pode perder (existem casos em que pode acontecer o famoso “pulou o stop”, mas vou atualizar esse artigo em breve falando sobre isso).

Mas tenha em mente que você precisa de basicamente de duas coisas: posicionar o seu stop e respeitar o seu stop, pois se quando está chegando perto do stop você resolve retirar o stop, você acabou de entrar no setup do trade da esperança, que é aquela operação que a única coisa que pode proteger seu patrimônio é a sua fé, porque a técnica você já jogou no lixo faz tempo.

1. Stop baseado relação risco/retorno

Se você comprar uma ação por R$100 e tiver como alvo (pela análise técnica, fundamentalista ou qualquer outra) R$130, significa que você tem um alvo de 30%, certo?

Então para trabalhar com o stop nesse caso, você pode escolher uma relação risco/retorno de 1 pra 3. Isso significa que pra um alvo de 30% você poderá ter um stop máximo de 10%.

Ficaria assim:

  • Compra: R$100,00
  • Alvo: R$130,00
  • Stop: R$90,00
  • Ganho máximo: R$30,00
  • Prejuízo máximo: R$10,00

Desta forma, se você acertar apenas 3 operações, você teria um lucro de R$90,00 (3 x 30) ao mesmo tempo em que teria um prejuízo bruto total de R$70 (7 x R$10).

Percebe como uma estratégia de gerenciamento de risco inteligente com um bom posicionamento do stop pode te dar um resultado positivo mesmo tendo um baixo índice de acerto?

Uma outra forma de posicionar o mesmo tipo de stop seria baseado em risco financeiro. Por exemplo, se você definir que pode perder até R$1000,00 por trade, você vai calcular o tamanho do stop por ação primeiro e depois dividir o prejuízo máximo definido pelo tamanho do stop.

Parece complicado, mas vai facilitar com esse exemplo de trade com Petrobrás (imagine que no dia PETR4 esteja custando R$20,00):

  • Prejuízo máximo por trade: R$1.000
  • Preço de Petrobrás (PETR4): R$20,00
  • Stop por ação: R$2,00
  • R$1000 / 2 = 500 (prejuízo máximo dividido pelo stop)

No exemplo acima, você dividiu R$1000,00 (que é o prejuízo máximo definido por operação) pelo stop de R$2,00. O resultado é quantas ações você deve comprar de Petrobrás para ter um prejuízo máximo de R$500,00 caso você seja estopado.

Refazendo a conta:

  • Compra 500 ações por R$20,00 = R$10.000,00
  • Stop de 500 ações por R$18,00 (R$2 de queda) = R$9.000,00
  • Prejuízo total = R$1.000,00 (R$10 mil – R$9 mil).
2. Stop fixo

A diferença do stop fixo para o stop baseado na relação risco/retorno é que você não se preocupa com a relação entre o gain e o loss para a definição do stop.

Pode ser tanto um valor financeiro como um valor percentual e é mais comum ser usado como limite de perda.

Limites de perda

É o valor máximo que você aceita perder no dia ou em outro período como mês ou ano e é muito importante ter isso muito bem definido no seu trading plan, pois pode evitar muito que o seu emocional afete seu julgamento nos trades.

Caso você não tenha ideia de como definir esse número, comece com um valor percentual em relação ao capital separado para aquele tipo de estratégia.

Se você separou R$10.000 para fazer daytrade com mini índice, pode definir como limite de perda 6% desse valor, ou seja, R$600,00 por dia.

Você não pode ter medo de executar um prejuízo. Bater o seu limite de perda diário e continuar operando torcendo pra recuperar tudo é receita certa pra quebrar.

Metas de ganho

Esse ponto parece ser o mais simples, mas muitos investidores passam anos sem conseguir lidar bem com as metas de ganho por um motivo muito simples: seguram operações perdedoras por muito tempo esperando reverter e encerram posições ganhadoras muito rápido pelo mesmo medo.

Parece estranho, mas é muito comum o trader comprar um ativo por R$20, esperando vender por R$25 e decidido a sair com um prejuízo máximo de R$2,00 fazendo o seguinte:

  • Segurando o ativo até os R$12,00 (porque quando bater R$18,00 ele pensou: deve voltar rápido, vou segurar mais um pouco pra ver se recupero).
  • Vendendo por R$21,00 (porque ele começa a procurar motivos pra dizer que o preço vai reverter e ele vai terminar no prejuízo se não colocar dinheiro no bolso logo).

Lembra que falamos de relação risco/retorno? Então, esse tipo de trader começa a ter uma relação risco retorno negativa, onde pra cada R$1,00 que ele ganha, ele perde R$3, sendo necessário um índice de acerto cada vez maior pra que seja possível sair com lucro ao final de um certo número de operações.

Número de operações por dia

Não existe um número padrão ideal para isso, mas é o seu trading plan que vai ajudá-lo nessa resposta.

Após definir seu prejuízo máximo diário e por trade, assim como seus objetivos, você vai percebendo como está a volatilidade do dia e ajustando os melhores momentos para operar baseado na sua estratégia.

Então o número médio de operações por dia virá como uma resposta automática, só é preciso ter em mente que você não precisa buscar realizar o máximo possível de operações por dia.

Respeite o seu planejamento e opere apenas quando as condições definidas estiverem presentes. Não tente procurar argumentos pra dizer que deve fazer uma entrada, você precisa ser muito frio nessa decisão.

Se você não sabe se deve encerrar ou não um trade, você não devia nem ter entrado nessa operação.

Analista André Moraes em um de seus vídeos no Youtube.

Indicadores de performance importantes para o day trade

São ferramentas que servem para analisar o seu nível gerência de resultado e sucesso nas operações de day trade. Exemplos:

  • Índice de acerto: Percentual de acerto em relação à todos os seus trades (trades ganhos / trades perdidos).
  • Payoff: média dos trades positivos / média dos trades negativos
  • Drawdown: O rebaixamento total máximo que a sua conta teve antes do novo pico.
  • Ganho máximo: Melhor trade.
  • Perda máxima: Pior trade.

Armadilhas emocionais

Como já falei ao longo do tempo, todo investidor ficará exposto a uma série de armadilhas psicológicas que farão os que não conseguirem resistir entregar muito dinheiro no mercado.

Se você tem interesse em estudar esse assunto de forma mais completa, recomendo a leitura do livro de economia comportamental Rápido e Devagar, do Daniel Kahneman (nobel em economia).

Mas para quem quer ir direto ao ponto:

  • Planejamento suas operações: sempre repito que um bom trading plan é a melhor defesa contra as armadilhas da sua mente que vai tentar fazer você tirar o seu stop por exemplo.
  • Checklist: dentro do seu plano, defina as confirmações que você precisa ter antes de montar uma posição, assim você deixa de lado a ansiedade e aquela sensação de que pode estar ficando de fora de boas oportunidades.

Gerenciamento de risco em estratégias fundamentalistas

Para quem está montando uma carteira fundamentalista, apesar de você conseguir trabalhar com a estratégia de stop para limitar prejuízo, o mais comum é gerenciar o risco da sua operação através da diversificação.

Diversificação nada mais é que respeitar a máxima que você não deve colocar todos os ovos numa só sexta e para construir uma carteira diversificada você deve respeitar alguns pontos.

  • Diversificação de ativo
  • Diversificação de setor
  • Diversificação de atuação
  • Diversificação de fonte de renda e receita

Diversificação de ativo

Então basicamente você não deve montar sua carteira com um único ativo, por mais que você acredite na sua tese. Da mesma forma, de nada adianta diversificar ativos, mas focar todas as suas compras em um único setor, como o de varejo por exemplo.

Diversificação de setores

O setor de varejo é cíclico e depende do comportamento da economia para se comportar bem. Em momentos de recessão, as pessoas tendem a consumir menos, o que é um ponto negativo para o setor, então de nada adianta você diversificar sua carteira em Via Varejo, Magazine Luiza e Lojas Americanas, pois um aumento repentino na inflação ou uma crise econômica pode fazer com que o preço das ações afundem tão rápido que fica impossível você se proteger a tempo.

Nesse caso, você poderia ter ações do setor de varejo e ao mesmo tempo ações do setor de saneamento básico, um setor muito mais resiliente a uma crise econômica.

Outro risco de concentração em setores, é o risco regulatório, pois mesmo focando num setor resiliente como o de saneamento, caso o congresso passe uma lei populista que prejudique as empresas, podemos ter fuga de investidores dessas ações jogando a cotação pro chão.

Diversificação por região/país de atuação

Além de diversificar por setor, ainda é muito válido você diversificar sua carteira por região de atuação das empresas, já que se acontece algum problema pontual no Brasil, você ter uma empresa como Ambev que tem um grande público consumidor no Canadá.

No Brasil é possível investir até mesmo em ações de empresas listadas em bolsas de outros países e esse investimento é feito através de um instrumento chamado de BDR (Brazilian Depositary Receipts).

Já pensou em diversificar a sua carteira para gerenciar melhor o seu risco comprando ações da Amazon, do Google e do Mercado Livre? Através dos BDR’s sempre foi possível fazer isso, o único problema sempre foi a falta de liquidez, visto que o BDR só era permitido para investidores qualificados (com patrimônio acima de 1 milhão no mercado financeiro) e desde setembro de 2020 a CVM liberou para investidores em geral.

  • Cuidado: Algumas ações na bolsa dos EUA negociam sozinhas mais do que a nossa bolsa inteira, por isso, é preciso tomar cuidado com a decisão de se posicionar numa ação como o Facebook por exemplo por conta de uma notícia que só afetará a empresa ou o setor aqui no Brasil.

Diversificação por fonte de receita e dívida

Como um subgrupo da diversificação por país de de atuação, temos a diversificação por fonte de receita e dívida. Se você tem medo do real se desvalorizar muito, pode ter na sua carteira uma ação como Suzano, que basicamente tem 70% da receita em dólar, enquanto tem apenas 30% da dívida em moeda estrangeira, o que se mostra uma boa proteção em caso de alta do dólar.

Sempre nesse atente nesse último caso a relação receita com a dívida, pois de nada adiantará montar uma carteira com ações de empresas que tem receitas em moedas estrangeiras, mas que as dívidas são equivalentes a receita, pois o efeito diversificação será anulado nesse caso.

Faça o exercício de abrir um gráfico de Suzano (SUZB3) e compare com o desempenho do real e do dólar. Você verá que a empresa tende a ganhar força ou apenas se manter estável nos momentos em que o dólar sobe e o real se desvaloriza.

Opções: Como proteger sua estratégia com call (opção de compra) e put (opção de venda)

Crises econômicas ou uma queda forte e não esperada no lucro das empresas pode derrubar o preço das ações no mercado, por isso, muitos investidores preferem deixar parte do patrimônio em ativos mais livres de risco com o objetivo de ter caixa pra aumentar a exposição em bolsa nesses casos.

Vender PUT

Outra forma de fazer isso é vendendo opções de venda (put) com strikes (preço de exercício) mais baixos e “fora do dinheiro” que o preço atual das ações, com isso, você mantém caixa e ao mesmo tempo, ganha dinheiro enquanto essas ações não caem.

Vender CALL

Sabe aqueles momentos em que você já está com lucro numa posição mais de longo prazo, pretende manter essa ação na carteira, mas percebe que o mercado está “esquisito”, talvez depois de um rally forte de alta e ainda batendo numa região de forte resistência?

Nesse cenário normalmente tomamos uma de duas decisões: Ou vendemos posição e colocamos dinheiro no bolso ou simplesmente aguardamos e compramos o risco. Caso sua escolha seja vender sua posição, outra alternativa é vender uma call no dinheiro (bem próximo do preço atual da ação) e ganhar uma taxa que pode chegar até 10%.

Ao vender uma call no dinheiro você irá limitar o seu lucro ao preço atual da ação, o que é o ponto negativo dessa estratégia. De outro lado, se a ação cair, você não precisa fazer nada, continua com a ação, mas antes disso, colocou a taxa recebida com a venda da opção no bolso.

Sei que esse assunto é avançado e complexo, caso você precise de ajuda, pode conversar com seu assessor de investimentos e caso você ainda não tenha um, pode marcar uma reunião comigo clicando aqui e conversamos mais no detalhe sobre essa e outras estratégias avançadas com opções.

Se preferir, pode me enviar um whatsapp também.

Conclusão

Repetindo a introdução desse artigo:

O mercado não erra. O mercado é soberano, e vai passar por cima de qualquer um que não tomar os devidos cuidados.

A proposta desse artigo foi apenas uma: tentar abrir os seus olhos antes que você perca dinheiro sem necessidade por não ter uma estratégia eficiente para gerenciar o seu risco.

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